31 de ago de 2012

COLUNA FATOS E FOTOS: GLORY ÓPERA 2002-2012


 Lá se vão 10 anos, passa rápido né? Quem lembra o primeiro show considerado grande evento de Metal, que aconteceu em Boa Vista? Idos de 2002, SESC Centro, uma banda chamada Glory Opera de Manaus, desconhecida da maioria dos Roraimenses, anuncia um show em Boa Vista. Uma banda de Metal de fora, já era uma revolução, grande expectativa. 

Público na expectativa para o show

O responsável da armação foi Rodrigo Baraúna (banda Garden), que já conhecia os caras, e organizou para eles virem a Boa Vista. Para a felicidade de uma banda local de metal, com menos de 2 anos de história, esta foi convidada para abrir esse show. 

 Lepthospirose no palco aquecendo a galera – com participação do Rodrigo Barauna 

A banda local de metal Lepthospirose, abriria um grande show, após umas poucas apresentações, como no FestRock na praça Ayrton Senna em 2001 e um tributo (o primeiro em BV) ao Iron Maiden em 2002, na finada Dunia, que depois foi KGB, e que depois virou um monte de coisa (risos). 

Lepthospirose – Jamming with Kimera 

Abrindo o evento, a banda Kimera, na época o projeto paralelo dos irmãos Baraúna. 

Abrindo a noite – Banda Kimera 

A bateria foi montada com um monte de peças de baterias emprestadas. As caixas foram emprestadas dos amigos que tinham um equipamento um pouco melhor, uma colaboração solidária muito praticada na época, pois naquele tempo era difícil juntar equipamento decente pras bandas tocarem, então sempre rolava um empresta daqui e de lá pra poder realizar os shows. 

Batera Frankstein, com tambores pretos, vermelhos e prateados E Helmut Quacken – hoje ainda no Glory Opera, mas também nas baquetas da demolidora Nekrost (AM) 

O SESC Centro cheio, entupido, presenciou uma noite histórica. Uma banda de músicos muito talentosos, com musicas pesadas e rápidas, com pegadas precisas do Helmut Quacken na bateria, fez um show demolidor. A galera de boca aberta ficava hipnotizada com as execuções perfeitas das musicas da banda e, literalmente, o SESC veio abaixo quando eles encerraram o show com Carry On do Angra, que era a musica mais conhecida da galera, que não ainda conhecia o trabalho próprio do Glory. 

SESC Centro nos bons tempos – lotado 

Interação banda com o publico 

10 anos depois, eis que essa mesma banda, que fez história naquela noite, volta pra fazer história de novo, no até agora maior, melhor e insuperável festival que Roraima já viu. Já com modificações na formação original, com os membros remanescentes Humberto e Helmut, o Glory fez um show fantástico, e agradeceu e lembrou-se daquela noite dez anos atrás, dizendo que foi o maior público que a banda já teve, e se eles lembram até hoje, foi porque eles realmente gostaram e, literalmente, foi inesquecível pra eles, assim como pra nós também. 

Glory Opera em Boa Vista – SESC Fest Rock 2012 

Deu pra perceber o que aconteceu com o cenário rock n roll em dez anos? Deu pra sentir nessas fotos a diferença de estrutura que temos hoje? Percebe que essa história tem sempre o SESC Roraima como cenário? Deu né?! 

Então, é só continuar nessa trilha, com coragem, com garra, com vontade. Prestigie, compareça, apóie, pague para entrar em um show ou evento de rock aqui nessa cidade, apóie as bandas autorais locais, compre os CDs produzidos e gravados aqui em Boa Vista, curta também e vá a eventos das bandas com propostas covers, com isso, toda a roda produtiva da musica gira com mais intensidade, se auto alimenta, porque foi exatamente assim que passamos disso ... 


Para isso... 


com o apoio do SESC e a presença do público. 

Você estava lá? 

Estava lá?

FICARAM AS FOTOS 

Glory Opera - Sesc Roraima - 2002

Glory Opera - Sesc Roraima - 2012

Reconhecem essas personalidades?

Equipe do Sesc RR e Glory Opera

Kimera, Lepthospirose e Glory Opera

Abraços a todos.

24 de ago de 2012

UM CÂNCER EXTERMINADO

 
Depois de uma quimioterapia intensa, o câncer da cena rock roraimense foi eliminado. Agora o rock do extremo norte do Brasil respira aliviado caminhando para novos horizontes.

A cena rock roraimense está curada de um câncer que assombrou sua história por algum tempo, atrasando um processo natural de crescimento, amadurecimento e destaque do cenário rocker acima da linha do Equador. Para quem não conhece a história mais recente do rock de Roraima, pode estranhar o começo dessa reflexão, mas vamos direto aos fatos : Antes da coletivização e catequização quase militar de algumas bandas do nosso cenário, em especial as autorais, o rock roraimense seguia a passos livres para caminhar para onde e como quisesse, independente e harmonioso, com suas tribos atuando em parcerias, independente de suas ideologias e seguimentos, sem opressão, manobras ilícitas e desleais por parte de alguns personagens, por medo de perderem sua “soberania” e “liderança” no “controle” do cenário local, manipulação quase lobotômica com discursos maquiados, mas que todos hoje sabem os reais motivos, acabando com uma farsa que não convence mais ninguém, ou você ainda acha que sua banda carregando caixa de som, vendendo cerveja em festinha pra inglês ver, tocando de graça mesmo sabendo que o “dono da festa” está embolsando uma ponta pelo serviço prestado, vai fazê-la se tornar um sucesso e tocar nos principais festivais de rock do país?

Não havia a quantidade de espaços como há hoje para as bandas se apresentarem, porém rock autoral e rock cover conviviam pacificamente. O público venerava as bandas covers, respeitava as bandas autorais e principalmente valorizavam, reconheciam e prestigiavam ambos os estilos, numa convivência pacífica, e por hora muito mais benéfica do que havia se tornado com a chegada do câncer que exterminou muitas bandas com sua atitude vampírica e manipuladora.

São inúmeras as razões para comemorarmos, e também para lamentarmos pelas manchas que esse câncer causou a biografia do rock roraimense. Como não se perguntar por onde andam certas bandas que até pouco tempo estavam em ascensão em nosso cenário, mas que hoje simplesmente se apagaram da cena? Será que por se aliarem a organizações de intenções duvidosas, acabaram sendo vampirizadas, reprimidas, simplesmente manipuladas por interesses nada explícitos ou talvez apenas perderam o tesão em continuar suas carreiras e resolveram pendurar as chuteiras?

Parafraseando Cesar matuza: "Tem muita gente boa nessa barca furada, que poderiam estar com melhor prestigio na cena local, com mais espaços à disposição e com mais oportunidades, mas por fazerem parte da filosofia de grupo segregatório, acabam se isolando e minguando infelizmente."

E o que falar de bandas que preferem caminhar de forma independente, mas vez ou outra são sondadas para integrarem uma rede que promete o céu, mas só tira delas o que precisa, e depois como uma fralda geriátrica, as descartam sem a menor cerimônia? É triste, mas hoje podemos listar várias bandas que se encaixam perfeitamente nesse exemplo e sucumbiram no meio do caminho.

Temos hoje , só na cidade de Boa Vista, pelo menos cinco picos de rock ativos,a disposição para as bandas tocarem, sejam elas cover ou autorais, entre eles o Chacrinhas Chopps, Bar do Rock, Antique Pub, Arcabuz Bier e Casa do Neuber, mas o processo se tornou inverso. Antes bandas pipocavam aos quilos, muitas delas de proveta, é verdade, mas pipocavam e buscavam espaço para tocarem, só que não havia lugares a não ser as festas de aniversário, as praças da cidade, o espaço rock do Sesc e um festival aqui ou outro ali, underground quase sempre. As reclamações, tanto dos grupos como do público eram constantes quanto a essa situação. Quando rolava evento de rock em Boa Vista, gente brotava de tudo quanto era canto, e independente de ser um show cover ou autoral, os eventos eram sempre lotados. Hoje há espaço de sobra, mas o ego de algumas bandas cresceu tanto e a prepotência mais ainda que agora exigem algo que não cabe nesse contexto. Em pratos limpos: Cospem no prato que comeram, e pior ainda, só reclamam e não fazem nada para mudar ou se adaptar ao novo cenário. Puro recalque.

Por isso, somente alguns grupos mais antigos, formados anteriormente a esse processo de coletivização resistem. Outros da nova geração, nasceram com integrantes que já atuam desde sempre em nosso cenário, e por isso não se deixaram enganar por discursos de vendedores de bíblia e falsas promessas , auto masturbação e tapinhas nas costas. Banda boa não precisa de fotinhas publicada num álbum mixuruca de bloguezinho sem lastro que pouco agrega a sua carreira, mas precisa sim de apoio, de espaço para tocar, de divulgação eficiente, de gravar seu material e jogar na rede, e acima de tudo, de humildade, profissionalismo e espírito de união com os demais grupos e espaços que apoiem o movimento rock n'roll. Foi assim na contra cultura, no movimento punk, no rock brasil dos anos 80 e ainda continua sendo assim nos dias de hoje.

Felizmente, este câncer maligno e podre foi totalmente exterminado. O processo quimioterápico da limpeza dessa sujeira mesquinha que assolou nosso cenário a partir de 2006 chega ao seu ápice, e hoje os frutos estão sendo colhidos. Temos muito do que se orgulhar. Bandas não se submetem mais as ordens de boicote dos generais que sonham controlar um organismo vivo que é o rock roraimense e qualquer outra cena rock do país, por meio de barganha e atitudes dissimuladas com argumentos que mais parecem piadas de mau gosto.

Nós celebramos esta nova fase, de independência do rock do extremo norte do Brasil, onde podemos hoje prestigiar bons festivais de rock, shows nacionais, mesmo aqueles que só dá 30 pagantes de público, bandas autorais legais que ganham cada vez mais destaque na mídia e no cenário independente, bandas covers cada vez mais profissionais e com diferenciais umas entre as outras, várias opções de picos de rock pra ir curtir esses grupos, e principalmente, sem precisar ser omisso a qualquer organização que pinta o céu mas só tira desses grupos o que precisa e depois os descarta. 

O câncer foi eliminado, chutamos a bunda da falsidade e hoje comemoramos a independência do rock roraimense de qualquer povinho e organização que possa querer manipular as peças desse jogo em benefício próprio.

Se ninguém faz, fazemos”.

Fecha a Conta.

10 de ago de 2012

COLUNA FATOS E FOTOS: VIII RR SESC FEST ROCK




Quando comecei a escrever essa coluna, tinha a intenção de resgatar a história do rock roraimense, mostrando fotos de eventos de rock que aconteceram em Boa Vista, através de fotos antigas e inusitadas, para reavivar a lembrança de como nossa cidade avançou em relação ao Rock n Roll. 

Entretanto, essa semana eu vou escrever sobre um evento bem recente, ainda fresco em nossa memória, sentido ainda no zunido do ouvido, e nos pés doloridos depois de uma maratona de dois dias, com 10 shows em cada noite (aliás, noites já é um termo não adequado, pois foram dias, que começaram às 5h da tarde e foram até as 2 da madrugada), e como as coluna anteriores falavam do SESC Fest Rock, vamos continuas na mesma pegada. 

O que destacar do evento, já que a coluna é sobre fatos e fotos? Toda a parte técnica e descritiva do evento você vai poder ver em outros blogs, imprensa, perfis de facebook, etc. Então vamos destacar aqui as fotos. Logo vocês vão entender. 

A estrutura antes do início do evento já impressionava 

Quando eu ou qualquer um de vocês, vamos a um evento onde há bandas que você gosta muito, qual seria o prêmio máximo? 

a) ( ) Conseguir um autografo. 

b) ( ) Conseguir tirar uma foto com os caras da sua banda que você curte. 

c) ( ) ver um grande show, daqueles que você sai de alma lavada e pescoço cansado. 

d) ( ) todas as anteriores. 

O 8º SESC Fest Rock, realizado no SESC Mecejana em Boa Vista, proporcionou tudo isso. Trouxe a Roraima, bandas do LineUp de reputação internacional, como Korzus e Antidemon, que fazem shows pelo mundo inteiro, Korzus com mais de 30 anos de carreira, Antidemon com os CDs lançados em vários países e com turnês mundiais no currículo, ou Glory Opera, banda muito boa, daqui de pertinho, da vizinha Manaus, que tem competência para fazer shows no nível de qualquer banda de Power Metal do mundo. Ou a novata CarroBomba, ainda de carreira curta, mas de uma qualidade incrível no som e na energia. 

Antidemon no palco do 8º SESC Fest Rock 

Korzus: Fechando o festival com uma chave de ouro muito pesada. 

Pois bem, tem banda ou artistas por aí que tendo carreiras e talentos irrelevantes perto desses nomes aí, colocam uma banca e posam de um estrelismo e uma vaidade quase arrogante, com frescuras pessoais, exigências de camarins e sem paciência com o atendimento aos fãs. Esses tipos tem de monte por aí. Só pra citar um fato presenciado por mim aqui mesmo em BV. Após seu show, quando retornou ao hotel, a pop star Pitty, entrou direto para o elevador, sem parar para dar atenção nem tirar foto com uma meia dúzia de poucas pessoas que esperavam lá pra tirar uma foto com a cantora. Lamentável. 

Camarim do Korzus antes do show. 

No nosso maior festival do Estado de Roraima, o que aconteceu não foi nada disso, todos as bandas principais do Cast estavam totalmente a disposição dos fãs, fosse para fotos, ou bate papos, na própria área aberta do festival, junto com o público. 

Destacando os membros da Antidemon, que fizeram questão de acompanhar quase todos os shows dos dois dias, no meio do público. O Glory Opera que após seu show, foi curtir o show do Korzus na platéia. O Korzus que atendeu na boa alguns fãs no camarim antes do show e na própria área atrás do palco após o show. 

Então fazendo a conexão final com o objetivo dessa coluna, no 8º Roraima SESC Fest Rock, ficaram além das lembranças na memória e da certeza que foi o MAIOR festival de Rock que o Estado já viu, ficaram também muitas fotos dos rockers locais ao lado dos seus ídolos, lembranças que ficam marcadas pra uma vida, momentos congelados no tempo, eternizadas digitalmente ou na parede do quarto, felicidade compartilhada em redes sociais, lembrança impressa em papel pendurado dentro de uma porta de guarda roupa, enfim, o momento que pra sempre poderemos dizer, quando vermos um clip, ou uma revista com as fotos desses caras, a gente vai virar pro lado e comentar com um amigo ou parente: “ta vendo esse cara aí? Pô gente fina demais ó, tirou uma foto de boa comigo no SESC Fest Rock”. 

Veludo Branco + Antidemon 

Pra fechar, parafraseando o Rogério Siqueira, no seu show no domingo, “não reclame que não tem rock em Boa Vista, sempre tem, e pode ter mais, então não fique só reclamando, pague para ver um show de rock, porque se tiver gente pagando pra ver, vai continuar tendo cada vez mais”. 

Abraços a todos. 

6 de ago de 2012

VIII SESC FEST ROCK: Uma nova atitude, um novo caminho para o rock roraimense




Há 11 anos atrás, um garoto de apenas 15 anos, muitas espinhas na cara, usava jeans rasgado, all star sujo, uma boina usada do avesso e uma camisa verde com estampa do Che Guevara. Seus dedos eram cheios de anéis com temas “metálicos”, os cabelos desgrenhados, enormes, lembravam um guitarrista americano, que usava cartola, tinha aptidão por cigarros, drogas, mulheres perigosas, confusão, e andar de bicicleta pela cidade, tombando velhos tambores de lixo, ouvindo muito AC/DC, Black Sabbath, Guns N' Roses e Kiss no seu disc-man era o passatempo mais divertido na sua vida. 

Neste mesmo tempo esse garoto assistiu o 1º festival de rock de sua vida, o lendário e seminal RORAIMA FEST ROCK, realizado na quadra de futsal da praça Ayrton Senna, ao lado do guaraná do Marivaldo, organizado pela galera da banda Garden, LN3 e amigos que uniram força e realizaram o 1º grande festival de rock que se tem notícia em Roraima, aberto ao público, com uma superestrutura, palco gigante, bandas do AM e RR, ao ar livre, com a grama para sentar e muita história para contar em mesas de bares quando os remanescentes dessa época se encontram. 

Onze anos depois, a cena rock de RR evolui significativamente. De lá pra cá a história do rock roraimense tem sido forjada com ciclos de altos e baixos, momentos épicos, outros para esquecer, mas todos fundamentais para nos trazer até onde estamos hoje e presenciar o renascimento do mais tradicional, importante e até agora melhor festival de rock de todos os tempos que Roraima já recebeu, o VIII Roraima Sesc Fest Rock. Como sempre costumo dizer para as pessoas que encontro pela vida, para entendermos quem somos hoje e o que queremos amanhã, devemos olhar para atrás, refletir, apontar nossas falhas, resgatar o que há de bom e caminhar para frente, arriscar e não ter medo os tropeços. Foi justamente isso que aconteceu durante os 2 dias no Sesc Mecejana, um novo recomeço para o rock roraimense, e parafraseando o próprio evento, UMA NOVA ATITUDE! 

A PRODUÇÃO 
Unindo força de trabalho e resgatando o espírito de união 

Para a edição 8 do festival, o SESC RR e sua gerência de Cultura tiveram o reforço de peso de todos aqueles que ajudaram a construir a história do rock roraimense na produção do evento. Rafael Inforzato, baixista que atua desde 2007 na cena rock e hoje integra a banda Konvictus, foi convocado para organizar o evento e dar suporte as bandas locais. Já a galera da banda Garden, os mesmos que capitanearam a produção do “1º fest rock” e junto com outras bandas e agitadores em parceria com o Sesc RR deram gênese ao Espaço Rock do Sesc RR e o RR Sesc Fest Rock colaborou na articulação com as bandas nacionais que integrariam a programação mais pesada de todas as edições até então, e muitos colaboradores “Anônimos” que de alguma forma ou de outra, seja emprestando equipamentos, dando suporte técnico e logístico, divulgando nas redes sociais, deram sua contribuição para o evento alcançar o sucesso e resgatar o status de maior de todos os festivais de Roraima. 

Seguindo o lema desse ano - UMA NOVA ATITUDE, a estrutura do festival passou por mudanças que foram fundamentais para torná-lo o sucesso que foi. A estrutura do festival passou para a área externa do Sesc Mecejana, com 2 palcos, sendo o principal batizado de Tepequém, recebendo shows das bandas nacionais e bandas locais de mais destaque na cena rock roraimense. Diga-se de passagem, que palco incrível! O som alto e bom pra c******; Estrutura de iluminação impecável! Um telão de Led gigante colocado no fundo do palco que deu os ares dos festivais de música de verão da Europa, fazendo de cada show que passou por ali uma verdadeira experiencia audiovisual, tornando tudo mais grandioso, saboroso de assistir e incrivelmente psicodélico. É bom demais ver as sementes dando frutos. 

Ao lado do gigante palco Tepequém estava o palco Maloquinha, apelidado carinhosamente de Xuxuzinho, com estrutura menor mas ainda assim não deixando nada a desejar ao palco principal, calando a boca dos pessimistas, sem lastro algum de relevância que andaram duvidando da capacidade, competência e profissionalismo da equipe do Sesc em disponibilizar um palco que atendesse as necessidades das bandas que ali tocaram, entre elas bandas locais autorias e shows especiais em homenagem a grandes bandas de rock, como Guns N' Roses, Slipknot, Pantera, S.O.A.D, R.A.T.M, fazendo os mais nostálgicos e headbanguers relembrarem de outro festival, o Rock in Rio. Isso não soou prepotente de forma alguma, e mostrou que podemos prestigiar bons shows autorais e covers em Boa Vista. Quem ganhou no fim de tudo foi o público com a programação diversificada unindo o cover e o autoral. 

A mini rampa de skate voltou a protagonizar um evento de rock também. Um charme a parte, a “mini hemp” saciou a sede de um dos públicos mais fieis de todos os tempos dos eventos de rock do Sesc, a galera do SK8, que juntamente com os headbanguers da “praça” e do 13 de setembro fizeram a festa e agitaram pra valer nos shows que rolaram nos dois dias de evento. 

A estrutura do festival ainda contou com stand de patrocinadores, área de alimentação, camarins abastecidos generosamente para as bandas, banheiros bem localizados, área coberta para eventuais imprevistos meteorológicos e uma área ampla para circular e até relaxar deitado na grama no intervalo dos shows. 

O hasteamento da bandeira do Festival deu outro diferencial a história do Sesc Fest Rock. O simbolismo daquele momento durante a programação do evento significou muito mais do que apenas um ato “patriótico” dos roqueiros, resgatou naqueles que estão na ativa na cena rock desde “sempre” novamente o espírito de união, camaradagem, respeito e solidariedade em prol de algo maior, o rock n'roll. 

Uma das cenas mais marcantes para mim durante o evento, e que representa perfeitamente o que é esse espírito de equipe foi presenciar absolutamente todos que ali circulavam respeitando o espaço do próximo, e ver que do auxiliar de serviços gerais, até o nosso eterno padrinho do rock roraimense, Kildo Albuquerque juntando latas vazias do chão e recolhendo ao seu devido lugar para a reciclagem, mostrou que não importa a função que se está exercendo num trabalho como este, o importante é colaborar, arregaçar as mangas e fazer acontecer. 

A PROGRAMAÇÃO 
Tudo junto e misturado, respeitando o trabalho de todos 

A programação dos festivais de rock do Sesc sempre deu motivo para muitos debates acalorados. De um lado a cena autoral, reivindicando apoio ao seu trabalho, mais espaço e reconhecimento. Por algum tempo o evento abraçou a ideia de só colocar bandas autorais locais para tocar no mesmo, mas por conta de questões pouco profissionais da parte de alguns colaboradores, a proposta do festival ser apenas para bandas autorais tornou-se inviável, parte por falta de competência das bandas selecionadas, de qualidade duvidosa e só estarem ali por motivos rasos.

Do outro lado, há a cena cover, sem dúvida importantíssima para a evolução do cenário rock local, afinal foi do cover que surgiram diversas bandas legais que hoje tem seu trabalho próprio paralelamente ao cover sem causar qualquer tipo de atrito, refletindo nossa cena ainda pequena, com diversas vertentes e um público extremamente heterogênico. Há espaço para todos e a programação apresentada na edição deste ano deu um singelo chute na bunda dos hipócritas da cena rock local, que acham que só banda autoral tem lastro, ou só banda cover tem lastro para tocar. Digo uma coisa, banda boa (cover ou autoral), profissional e competente tem lastro pra tocar em qualquer lugar e meio metro de rola com pimenta no cu de quem prefere fazer polemica quanto a esse assunto. Para aquelas bandas que ainda não chegaram a esse ponto de suas carreiras devem trabalhar e evoluir que o processo de amadurecimento chega naturalmente para todos. Não sintam-se menosprezadas ou diminuídas por não terem participado na edição deste ano. Absorvam a experiência, inspirem-se e trabalhem que naturalmente o reconhecimento chegará e convite para tocar no festival também... Enfim, que graça teria a vida, o mundo, se tudo fosse igual? 

A programação desse ano do festival veio resgatar o passado e os bons tempos de Fest Rock, trazendo para a mesma mesa para comer juntos os dois lados desse “cabo de guerra” ridículo e mesquinho que ainda assombra nosso cenário. Acredito que depois desse Festival, o público e as bandas da cena roraimense compreendam finalmente que a competição deve permanecer somente em cima do palco, com o melhor show, a melhor música, a melhor performance, a melhor estrutura, e fora dele o espirito de união deve prevalecer, com todos os interessados e beneficiados se ajudando. A força de trabalho de várias mãos sempre será maior de que um ego gorducho, invejoso, mau caráter e solitário. 

Por conta disso, as principais bandas locais autorais foram convidadas. Bandas “de proveta” foram montadas para shows tributo especiais, e outra reclamação constante do publico foi atendida com louvor pela produção do evento, a volta do metal em peso ao festival, provando que o mesmo ainda é o carro chefe do evento, atraindo o maior publico, mais participativo e legal de ver num evento como este. Os 'true” ainda merecem o título de verdadeiros roqueiros, na atitude, no visual e no discurso. A veia rocker ainda permanece viva no publico roraimense, e de uma vez por toda aquela chatice toda e bla bla bla de alternativo acabou no Fest Rock. Amém. 

OS SHOWS 
Altos decibéis, boas performances e um palco xuxuzinho de se ver 

Não vou aqui me estender muito sobre os shows, até porque não assisti a todos e outros colaboradores estarão publicando aqui mesmo no blog a resenha das apresentações, mas ainda assim vale a pena ressaltar alguns dos maiores destaques do evento. Das bandas covers/tributo, os maiores destaques ficam para a HAADJ num show especial ao Guns N' Roses que inflamou a platéia que se apertou no gargarejo do palco “xuxuzinho”. Destaque também para a banda Konvictus que mais uma vez detonou num show especial só com músicas do Slikpnot. O vocalista Carlos Augusto ainda fez uma participação na noite anterior no show da banda Carro Bomba, proporcionando outro momento emocionante de tantos que aconteceram no festival. 

Do lado autoral, os veteranos da banda Garden entregaram um show intenso, bom de se ouvir e assistir, mostrando o resultado de longos anos de estrada. Nós da Veludo Branco tivemos a honra de abrir o palco Tepequém, e para nós, a performance no Fest Rock foi uma das mais incríveis e inesquecíveis de nossa vida. Se foi bom para o publico não sei, mas para nós, está definitivamente gravado em nossa história como um dos melhores momentos de nossa carreira. Já banda A Coisa apresentou mais uma vez o melhor show entre as bandas locais e um dos 5 melhores de todos os 20 que aconteceram durante os 2 dias de festa. Mr Gal é o maior showman do rock roraimense de todos os tempos e nós o reverenciamos com admiração. Mr Gal tem lastro e ponto final. (risos). 

E o que falar das atrações nacionais? Eu prefiro deixar para os comentários do público. Eu como fã de som pesado também, sou suspeito para falar então prefiro resumir numa simples frase o que foram todos os shows das atrações de fora: Porrada na orelha, cervicais “moídas” e aparelhos auditivos danificados por um bom tempo de nossas vidas! 

O QUE FICA? 

É difícil terminar estas linhas e tentar resumir e expressar meus sentimentos quanto a experiência do último fim de semana no Roraima Sesc Fest Rock. Eu senti novamente bater no meu peito um orgulho imenso em fazer parte da história do rock roraimense. Relembrei tudo que aconteceu na história do rock local desde aquele ponto lá no começo dessa jornada, quando eu apenas tocava minha guitarra sozinho em casa, ou com minha banda Papa Velhas e sonhava tocar num palco gigante como aquele que vi na praça Ayrton Senna. Sinto-me, assim como a banda Veludo Branco, uma honra imensa em ter participado desse festival. Sinto-me muito feliz e orgulhoso de também fazer parte da história e construção do maior festival de rock de Roraima, de forma direta tocando, e indireta apoiando de todas as formas que estão ao meu alcance o evento. e sinto mais ainda orgulho de ver que todos os sonhos são possíveis de se realizar na vida, e que o espírito de união, trabalho em equipe, respeito e acima de tudo propósito por uma causa maior, a música, o rock n'roll, as bandas de rock, o público, o Sesc o nosso amor pela força motriz que embala a vida de muitos que igualmente a mim e que não vivem sem o rock n'roll em suas vidas prevaleceu nesses dias. 

Espero que as energias continuem fluindo assim daqui em diante pois a roda continua girando. Parabéns ao Sesc Roraima e toda sua equipe de trabalho, colaboradores (banda Garden, Rafael Inforzato) aos “anônimos” que de alguma forma ajudaram a fazer o festival o sucesso que foi e especialmente a um cara que defende e ama o rock ao ponto de fazer o impossível e arriscar sempre para fazer acontecer o Fest Rock, o nosso querido Kildo Albuquerque. Sem o apoio desse fomentador da cultura rock e o Sesc Roraima, certamente as bandas de RR ainda estariam tocando somente em praças com equipamento ruim, festinhas de aniversário e raros eventos locais. O Roraima Sesc Fest escreve um novo recomeço em sua história, e nos dá muito orgulho poder presenciar e fazer parte de mais esse capítulo da história do rock roraimense. Que venha o próximo passo, melhor ainda do que esse, com mais lastro. 

Fecha a conta. 

5 de ago de 2012

NA REDE: CLIPE SEM MENTIRAS DA BANDA VELUDO BRANCO



Quando, ainda em abril, eu escrevi um texto pra Folha de Boa Vista comentando a gravação do novo disco da Veludo Branco, disse que as metas para o lançamento eram ambiciosas. Agora, que enfim o EP Sem Mentiras entrou no ar, como nosso "Disco do Mês" de julho, dá pra ver que eu não exagerei. Um bom exemplo é este clipe, lançado também na madrugada desta sexta, que mostra a Veludo gravando a faixa-título do EP.

A produção é em grande estilo - aliás, na mesma matéria, o vocalista Mr. Gonzo dizia que os equipamentos usados não ficavam nada a dever para o que tem se usado em Hollywood. Creio que sim, pois devo dizer que me impressionei ao enfim conferir o resultado final.

Este vídeo é o primeiro a ser lançado, que corresponde à faixa 3 do EP. Todas as músicas já têm o seu respectivo clipe. A cada semana, um será lançado na página da Veludo no Vimeo - http://vimeo.com/channels/veludobranco - e aqui no Som do Norte.


  
Produção Musical: Estúdio Parixara
Edição/Finalização de vídeo: Camera Pro Films
Imagens: Saulo Oliveira

POR FÁBIO GOMES - www.somdonorte.com.br


O FACEBOOK NÃO PODE SER SEU ÚNICO CANAL DE COMUNICAÇÃO PROFISSIONAL





Diz o dito popular que não se podem colocar todos os ovos que temos numa única cesta – se ela cair, todos se quebrarão e ficaremos sem nenhum. O mesmo raciocínio vale para a divulgação de suas atividades profissionais, quer você tenha uma banda, quer possua uma empresa: você não pode concentrar toda a sua comunicação no Facebook.

Veja bem: não estou falando que você não deva usar o Facebook para divulgar sua banda. Afinal, trata-se da maior rede social do mundo atualmente, reunindo algo em torno de 1 bilhão de usuários – ou seja, 1 em cada 7 habitantes do planeta. No Brasil, a proporção é ainda maior – de cada 4 brasileiros, 1 está no “Face” (veja que já criamos este apelido, numa mostra evidente do quão íntimos já ficamos do site). Com quase 50 milhões de usuários, somos a nação vice-campeã em número de usuários, só atrás dos Estados Unidos, com 160 milhões. Em vista disso, é importante sim marcar presença no “Face”, criando uma fanpage ou um grupo para falar de sua banda, ou apoiando a iniciativa de fãs que resolvam espontaneamente exaltar o seu trabalho. O mesmo vale para coletivos, empresas, ou sites como o Som do Norte, que desde dezembro conta com sua fanpage - https://www.facebook.com/pages/Som-do-Norte/135356079913801

O que seria, então, o problema? O problema consiste em a banda/ o coletivo/ o site/ etc acreditar que apenas com o Facebook vai conseguir realizar uma comunicação eficiente, desprezando outros canais. É importantíssimo ter seu canal próprio – um site tem lá seus custos de registro e manutenção, mas um blog praticamente não tem custo algum. Reservar um tempo para elaborar um release sobre as atividades da banda e enviar por e-mail para a imprensa – ou contratar um assessor de imprensa profissional que cuide disso – já requer um pouco mais de tempo (e custos, no caso da contratação), mas é imprescindível. Por mais que você ou seus fãs passem muito tempo online (e no Facebook), não esqueça que sua banda precisa marcar presença no “mundo off-line” – o nome dela precisa aparecer em jornais e TVs, assim como sua música tem chegar nas rádios. Os meios de comunicação de massa “tradicionais” (vamos chamá-los assim) ainda são os mais influentes para grande parcela da população, em especial as pessoas de mais idade - predominando os acima de 45 anos, grupo que inclui a maior parte dos empresários, que poderão apoiar projetos de sua banda, e ninguém apoia o que não conhece. Do mesmo modo, vários editais públicos ou privados pedem que a banda apresente um portfólio de matérias a seu respeito publicadas na imprensa, valendo recortes ou prints de sites (ou versão online de veículos impressos). E, não, ninguém pede (ou aceita)posts do Facebook nesses editais.

O ideal então seria utilizar o melhor de cada ferramenta. Em seu próprio site ou blog, por exemplo, a banda tem a liberdade de publicar o que quiser, o que logicamente nem sempre vai funcionar em relação à imprensa “tradicional” (nesse caso, a banda manda o que quer ver divulgado, mas cada veículo decide se vai publicar ou não). No Facebook, a banda pode repercutir o que for publicado em outros meios, além de compartilhar posts de bandas do mesmo estilo e notícias ligadas de alguma forma a seu trabalho.

Embora visivelmente predominante no cenário da rede social hoje em dia, o Facebook também tem suas limitações. É quase impossível, por exemplo, você localizar uma postagem feita por você ou algum amigo seu há alguns meses – o que é mais simples no Twitter, por exemplo, que é um site aberto (você não precisa estar logado para ler, e os posts são indexados pelo Google). Já o Facebook é um site fechado – você precisa se logar para ter acesso, e nada do que é postado ali será alcançado pela pesquisa do Google.
Há ainda outro motivo para evitar colocar todos os seus ovos na cesta do Facebook. Cito um trecho da matéria O que Esperar do Facebook?,de Katia Militello e Paula Rothamn, publicado na Info Exame de junho de 2012:

Nada garante que o Facebook se manterá como a principal plataforma da era do social. A qualquer momento pode surgir um novo serviço, uma nova tecnologia e cair no gosto de milhões de pessoas, passando o Facebook para trás.

Já vimos isso acontecer com o Orkut, lembra?