27 de jan de 2011

AQUELES QUE FICARAM PARA TRÁS



Esse post de hoje dá o ponta pé inicial na minha tentativa de relembrar um pouco mais da biografia do rock de Roraima, apesar de saber que parte dessa história foi escrita antes mesmo do meu nascimento, no início da década de 80, mas isso eu deixo pra contar futuramente.

Me limito a apenas contar a princípio que me vem a memória, desde as minhas primeiras lembranças de infância dos lugares que ia curtir rock em Boa Vista, as bandas que nasceram e sucumbiram, as que continuam ,os festivais, as festinhas particulares, as figuras icônicas, entre tantas histórias boas pra se contar aqui.

Pra começar essa conversa, vou direto a um top 5 de bandas que na minha opinião, na virada do milênio foram responsáveis, direta e indiretamente pelo que temos hoje em nosso cenário, em relação a tudo que citei acima.

São elas:

GARDEN

Em mais de uma década e quase meia de existência, do rock clássico do Led Zeppelin e Beatles, ao grunge do Pearl Jam, e o pop nacional de Paralmas e Rappa, a banda Garden foi um bom termômetro e referência de som cover bem tocado em nossa cidade.

o grupo tem sua formação clássica por Siddharta Brasil (V), Nequinho (Bt), Neto Baraúna (B) e Rodrigo Baraúna (G). É indiscutível a qualidade técnica como instrumentista de seus integrantes, e apesar de muitos acharem que falta carisma por parte do grupo em seus shows, pelo fato de parecer estarem na garagem de casa tocando apenas por diversão, há de se reconhecer que ver a banda ao vivo cai muito bem com uma cerveja gelada, tudo porque em seu repertório há o melhor do cover que qualquer top 100 de pop e rock pode selecionar.



Foram um dos primeiros grupos, se não o primeiro, a tocar fora do estado, em Manaus, no Porão do Alemão, no começo da década passada, fazendo de lá sua segunda casa. Também foram um dos primeiros grupos a gravar um disco e lançar (futuramente vou apresentar a resenha dele aqui) enchendo de esperança novas bandas que surgiram.

Participaram dos principais festivais de rock do estado, tocaram nos principais bares, raves, festas temáticas, boates e o que se pode imaginar, e por tudo tem os devidos créditos na biografia do rock roraimense.

Hoje a banda anda meio sumida da cena, mas ao que parece estão intocados produzindo um novo disco, e quando se pergunta que banda de rock se conhece em Roraima, é quase unânime em afirmar que a maioria dos questionados responderão "Banda Garden".

MR JUNGLE

Já considerados da velha guarda, juntamente com Garden e Lepthospirose, a Mr Jungle completa em 2011 uma década de existência. A banda que mais rivalizou com a Garden em termos de shows, quando as bandas covers proliferaram e atingiram seu ápice no início da década passada, tem em sua tragetória vários altos e baixos. Várias são as formações que o grupo apresentou podendo citar aqui mais de uma dúzia de integrantes que passaram pelo grupo, consolidando sua formação atual com Mano Vilas Boas (V), Jon Nelson (Bt), Artur Guilherme (B), Fabricio Cadela (G) e Alexandre "Pomba" (T).



Também foram as mudanças sonoras em seu estilo, e a persistência do único remanescente da formação original, Manoel Vilas Boas em seguir com o grupo, fazendo dela hoje uma das referências do rock n' roll roraimense, e definitivamente seu nome gravado na história do rock n' roll macuxi.

São 2 singles e 1 disco lançado, 1 video clipe, vários shows por Boa Vista, além de ser uma das bandas que mais circulou pelo Brasil, nos principais festivais independentes do norte do Circuito Fora do Eixo, carregando consigo o apelido de "Motley Crue da Amazônia", mas o que talvez muitos não se lembram, é que no início, a Mr Jungle fazia um pop rock oitentista simplório de covers de U2, The Cure e pop rock nacional oitentista. Suas primeiras composições também seguiam essa linha, mas com o passar do tempo e mudanças nas formações do grupo, a veia do hard rock prevaleceu em sua sonoridade.

Um dos primeiros grupos a apostar em músicas próprias, preparam para 2011 mais um disco, e ao que tudo indica ,seguindo a veia hard rock que consagrou o grupo e conquistou o respeito dos roqueiros roraimenses.

LN3

Na minha opinião, a melhor banda de rock que já existiu em Roraima, e a primeira a emplacar um hit local com a música "Olho por Olho", foi a responsável e a grande influência minha para compor música e parar de tocar cover.

Formada pelos veteranos Alexandre Horta (G), Rimolo Pina (Bt), Jorge Holanda (B) e Alencar (V), a LN3, que a princípio se chamava "Tsunami" surgiu em 2001 com uma proposta "radical" de tocar apenas composições próprias em seus shows, sendo os pioneiros e abrindo espaço para bandas que seguiram seus passos, a exemplo da Mr Jungle e a extinta Nêmesis.



Gravaram um disco no qual nunca foi lançado, produzido por Ben Charles, onde sintetizaram toda a crueza do seu som influenciado pelo rock oitentista de peso, somado as letras contextadoras e interessantes, fazendo dos headbangers aos posers baterem cabeças em seus shows.

Depois da saída do vocalista Alencar, a LN3 tentou seguir em frente com outros dois vocalistas, entre eles Leka Denz e Wander Longhi (Esboço de Nada), sem conseguir o mesmo destaque que havia de antes, culminando no fim das atividades da banda.

A exemplo de um tsunami, a LN3 teve vida breve na cena rock de Roraima, mas por tempo suficiente para influenciar toda uma geração de bandas e músicos e provar que é possivel sim fazer música própria e ter seu próprio espaço e reconhecimento.

LEPTHOSPIROSE

Formada por Jones La Migra (V), Frankson (G), Fabricio Cadela (G), Alexandre Pomba (B) e Cesar Almeida (Bt), a "Lepthos", como era conhecida pelos headbangers locais, foi a primeira banda de Heavy Metal a ter reconhecimento no cenário local. O grupo chegou a compor 2 músicas no fim de sua história, mas essencialmente em seu repertório havia apenas covers, dos classicos metais oitentistas de Iron Maiden, Metallica, Judas Priest entre outros. Foram vários os tributos ao Maiden, vários os shows nos lugares mais pitorescos que se possam imaginar.



A história da banda se confunde com a história da nossa cena, pois todos os seus integrantes continuam seguindo o caminho da música, em diversas bandas, covers e autorais.

Participaram também de festivais locais e circularam fora do Estado também, em Manaus.

Apesar de não serem uma banda autoral, sua influência na construção do cenário roqueiro de Boa Vista foi enorme, pois aonde havia show da Lepthospirose era certeza de farra garantida e muitas camisetas pretas.

São incontáveis os shows que a banda fez que foram interrompidos devido ao excesso de volume alto, sem contar algumas confusões também, e as melhores histórias de true metal de Boa Vista.

Depois de mudanças na formação, a Lepthos encerrou as atividades, porém, de tempos em tempos surge um revival dos true metals querendo a volta da banda referência em metal cover do estado de Roraima.

PANDORA

Se a Lepthospirose é conhecida como os percursores do Metal Roraimense, a Pandora é conhecida como os percursores do Grunge e New Metal. Formada pelos remanescentes da banda "Sangue Azul" Haroldo (B), Jander "Orelha" "Sapatada" (V) e Limbert (G) e William "Mis" (Bt).

Seu repertório totalmente de covers incluia releituras de Nirvana, Silverchair, Papa Roach e Planet Hemp. Assim como a Lepthos, tocaram em todo buraco que se possa imaginar, desde aos shows na pista de skate da praça Ayrton Senna até festas de aniversários.

Nunca chegaram a compor e gravar nada, mas pelo que fizeram durante seu tempo de existência, foi o suficiente pra deixarem sua marca na história roqueira de Roraima.

Esse é o meu Top 5, e o seu?

Victor Matheus.

Para colaborações envie um email para mrgonzorr@gmail.com

20 de jan de 2011

Os frutos das sementes de ontem

O ano de 2011 já começou, e em breve estará acontecendo em Boa Vista mais uma edição do Grito Rock América do Sul.

Como nas edições anteriores, bandas e artistas locais se misturarão a grupos convidados, e ações paralelas como mostra audiovisuais, oficinas e mesas de debates sobre cultura também devem acontecer, sendo uma ótima oportunidade para os agentes culturais locais e bandas terem um termômetro do que vai rolar durante o ano no circuito fora do eixo e alternativo e nas micro-rotas de circulação que estão se estalebecendo.

Particularmente fico otimista para essa edição pois acredito, como artista e como público, vivenciar finalmente a consolidação de nossa cena de bandas de rock, vendo grupos que foram promessas se consolidarem no cenário, como também o surgimento de novas bandas e surpresas, como ocorre em todos os anos.

Portanto, deixo aqui minhas breves impressões e expectativas sobre bandas que considero estarem se destacando em nossa cena local e podem fazer algum barulho em 2011:

JAM ROCK



a garotada da Jam Rock poderia ter em seu currículo a palavra "pouco" citada diversas vezes, pois a pouca idade dos integrantes, o pouco tempo de estrada, as poucas oportunidades que tiveram de circulação, a pouca maturidade que ainda há em suas composições, a pouca presença de palco quando o assunto é performance poderiam causar danos ruins ao grupo, mas essas características, que não são nenhum pouco degradantes, contrastam com a sobra de carisma do grupo, refletido em seus shows sendo acompanhados por um público fiel que canta as musicas da banda a plenos pulmões, mesmo sem eles terem lançado sequer 1 ep na curta história porém promissora da banda. Quem não se lembra das prévias do Grito Rock de 2010 no Antique Pub?

Acredito que em 2011, o grupo tem potencial para se definir quanto a sua personalidade artística, para que rumo quer levar sua música, que mensagem quer passar através de suas letras, e que atrativos visuais a mais presenteará seu público em seus shows. Potencial a banda tem, basta canalizar a energia e desensolver suas qualidades apagando de vez a palavra "pouco" que ainda está presente em sua biografia.

ELVIS FROM HELL



Vamos aos fatos: ao ouvir e ver a Elvis From Hell a primeira coisa que se pensa é, sendo bem honesto "que porra de banda escrota é essa? que som sujo e mal entendido? que falta de ritmo..poderiam pelo menos afinar seus instrumentos", mas depois de alguns minutos, você passa a pensar assim ".. é, o vocal tem um timbre de voz bacana, as músicas, apesar de simples, são divertidas, dá pra sentir a energia e o esforço dos caras pra mandar o som deles", e então, quando você ouve a música "Jonny Manero" já comprou a idéia da banda e se rende a farra.

A razão é simples: Quando vejo a Elvis From Hell tocar, volto 11 anos no passado e me vejo no mesmo lugar, tocando sem saber o que é um fá sustenido, sem ter a guitarra afinada, mas tirando meu som, e pouco me lixando para quem está ou não curtindo a minha viagem, e é isso que a Elvis From Hell é, uma gangue de caras que estão buscando se afirmar, com uma energia muito bacana no palco, músicas simples tocadas com tesão mesmo, e humildade pra reconhecerem suas limitações e força de vontade pra superar seus limites. Tenho certeza que tempo ao tempo, a Elvis From Hell será uma daquelas bandas que terá seus hinos gravados na memória do Rock Roraimense, e Jonny Manero será a personificação do que é um rock honesto e descompromissado feito por caras que só querem se divertir.

SHEEP



Quando a Sheep surgiu há alguns anos, ví a esperança de uma banda de Roraima ser destaque Brasil a fora, tanto pelo carisma e voz icônica do Ramon Hiama, tanto pelas músicas bem construidas e com refrões ganchudos, como pelo cenário favorável que a banda se criou. Foi uma pena o grupo ter ido pra geladeira quando tinha as cartas na mão pra dar o próximo passo, mas o tempo é sábio em suas lições.

Hoje a Sheep já pode ser considerada uma veterana do rock roraimense. Seus integrantes entraram em sintonia novamente, e as músicas próprias, expostas a prova do tempo, duraram, como prova se vê nos shows o público das antigas e os atuais cantando.

em 2011 a Sheep tem mais uma oportunidade de tomar as rédeas do seu destino, dar o próximo passo, superar seus obstáculos internos, e provar não para alguém que além deles mesmo que não são apenas mais uma promessa mas uma realidade, com sua estrela brilhando, e o valor merecido por sua obra e biografia construida de altos e baixos, mas não menos interessante de se conhecer.

O ano está apenas começando, e não tenho dúvidas que muita história boa vem por aí pra se contar. Vamos aguardar o que vem pela frente e ver os frutos que estas sementes podem dar.

Victor Matheus.